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Tolentino Abegoaria

 

 

A PESCA DA CAVALA

 

Os pescadores do Algarve usavam, na pesca da cavala e da sarda, tanto ao largo como próximo da costa, um aparelho composto por uma cana-da-índia com duas, a duas braças e meia de comprimento, tendo amarrado na extremidade um fio de arame onde era empatado o anzol. Por vezes o arame era substituído por um fio de linha torcido, com cerca de dois milímetros de diâmetro. Construía-se desta forma o aparelho para a pesca “ao abano”, indicado para a captura das espécies que investem sobre pequenos objectos móveis e brilhantes. Em vez de isco usava-se um pedaço de pano branco que revestia a haste do anzol e que corria à superfície, rebocado pela embarcação.

 

 

 

CAVALA NO PRATO

 

Cavala Alimada – De véspera é lavada, amanhada (retiradas as vísceras), escalada e salgada. No dia seguinte é cozida e alimada (retirar a pele). É acompanhada com batata cozida e temperada com azeite e vinagre.

 

Cavala Curada Escalada Pelas Costas – Lava-se e amanha-se, escala-se fazendo uma incisão profunda ao longo do dorso, até à coluna vertebral, desde a cauda à cabeça. Coloca-se sal em toda a superfície exposta e põe-se a secar ao sol durante dois ou três dias. Depois de seca, desfia-se aos bocados e serve-se temperada com azeite e alho picado.

 

 

 

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Observar o Fundo Marinho

OS "ZINGARELHOS" DO TOLENTINO

por Francisco Castelo

 

Desde os primeiros momentos da sua fundação, sempre se procurou dotar os departamentos de investigação subaquática de um equipamento que, por controlo remoto, permitisse a observação dos fundos marinhos, com aplicação nas mais variadas actividades do CEMAL (prospecção, arqueologia, biologia, morfologia).

Tolentino Abegoaria, principal defensor da existência de semelhante equipamento e seu potencial criador foi arquitectando diversos projectos, chegando a ensaiar alguns deles durante os anos 80 e 90. Porém, as câmaras existentes na altura, e que davam cabal resposta às solicitações técnicas eram demasiado onerosas, orçando a valores incomportáveis. Só recentemente esses materiais atingiram valores acessíveis, possibilitando a concretização de alguns projectos.

Mais do que o engenho e a imaginação do Tolentino, foi a sua dedicação ao estudo e experimentação sucessiva dos dispositivos que lhe permitiram alcançar o êxito.

Hoje, damos conta de dois exemplares (dos vários existentes, e a funcionar), que este indefectível entusiasta das coisas tecnológicas, e da Natureza, realizou. É, aliás, essa partilha de paixão entre os mais recentes avanços da tecnologia por um lado, e por outro a imensa curiosidade acerca desse universo magnífico que é o oceano, com as suas criaturas, segredos, e espólios depositados, que constitui a mola impulsionadora do seu entusiasmo e dinamismo.

Este dispositivo de observação subaquática é um equipamento constituído por uma câmara de vídeo submersível, um monitor de imagem e uma unidade de alimentação portátil. O engenhoso autor possui vários destes equipamentos, em que variam a tipologia das câmaras e dos monitores no que respeita a resolução de imagem, sistema de cromatismo e dimensões dos aparatos.

Questão técnica, mais importante, resolvida: estanquicidade dos equipamentos até às profundidades necessárias aos trabalhos do CEMAL.

Questão técnica, mais importante, a resolver na geração seguinte de equipamentos: transmissão da imagem via rádio, possibilitando a total autonomia de movimentos do dispositivo.

 

Descrição dos equipamentos:

Várias unidades de: câmaras e monitores de vídeo; unidades de alimentação eléctrica, cabos de ligação estanques.

Características Técnicas:

Câmara de Vídeo1 - 500 linhas de resolução, monocromática, com infravermelhos, iluminação aplicada através de LED’s de alta densidade, comunicação por cabo.

Câmara de Vídeo 2 - 480 linhas de resolução, policromática, 0.01 Lux, Diafragma automático de alcance alargado, comunicação por cabo.

Câmara de Vídeo 3 - 480 linhas de resolução, policromática, 0.01 Lux, c/ zoom comunicação por radiofreqência.

Monitor 1 - Policromático TFT de 2,5 pol. alimentação autónoma/externa 6V

Monitor 2 - Policromático de Plasma de 7 pol., alimentação externa 12V

Monitor 3 - Policromático TFT de 15 pol., alimentação externa 12 V

Monitor 4 - Monocromático CRT de 5 pol, alimentação externa 12V

Monitor 5 - Policromático de Plasma de 1,5 pol, alimentação autónoma 3V

Unidade de Alimentação1 - Portátil de 12V – 20 A

Unidade de Alimentação 2 - Portátil de 12V – 7 A

Performances e Potencialidades:

O conjunto dos equipamentos permite, em diferentes conjugações, efectuar o registo de imagens em ambiente submerso, na obscuridade, até 100 metros de profundidade. Pode ser utilizado em mar aberto ou em rios, barragens e sapais permitindo a observação de animais e objectos em quaisquer condições, em variados planos, de macro a grande angular. A autonomia de energia permite a sua operacionalidade durante períodos superiores a 24horas.

 

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