NOTA DE ABERTURA DA EDIÇÃO 1999/2000 DO ANUÁRIO DO CEMAL

 

"O CEMAL, Centro de Estudos Marítimos e Arqueológicos de Lagos, Associação sem fins lucrativos, foi criado em 1979 para dinamizar a Fortaleza Ponta da Bandeira, que pertencia nessa altura ao Ministério do Exército e estava praticamente abandonada. Nessas instalações, fez aquários com várias espécies marinhas, algumas raras, realizou exposições, adquiriu material para Arqueologia Subaquática, preparou mergulhadores e fez fotografia e filmes subaquáticos.

Pesquisou o fundo do mar, localizou várias peças, colaborou com o Museu de Arqueologia em pesquisas na Boca do Rio. Desenvolveu nesse tempo uma actividade que se pode considerar importante. Até que a Fortaleza foi entregue à Câmara e retirada ao CEMAL em fins de 1987. Não tendo encontrado outras instalações, a sua actividade foi prejudicada e acabou por tornar-se praticamente inexistente. Contudo, a Associação não morreu e está tentando sair do marasmo, porque uma Associação deste tipo podia ser da maior utilidade para a defesa do património arqueológico da região.

Foi o CEMAL que organizou a única Exposição que se fez em Lagos sobre Arqueologia Subaquática. Foi o CEMAL que fez Exposições sobre o Remexido, sobre o 6º Centenário da Aliança Luso-Britânica, sobre os Textos Constitucionais, sobre a Marinha Portuguesa do Séc. XVIII.

Foi o CEMAL que interveio junto da edilidade, evitando o aterro do Balneário Romano da Praia da Luz. O seu Departamento de História apresentou comunicações importantes em Congressos e foi ainda esta associação que se bateu, em várias frentes e em alturas diversas, pela implantação dum Museu do Mar em Lagos.

Mas, hoje em dia, o CEMAL limita-se a apresentar ao público um caderno ou um Boletim Informativo, uma página na Internet ou um filme Vídeo, uma Exposição Documental ou de objectos históricos, sem qualquer obrigação de periodicidade podendo, no entanto, e utilizando qualquer uma destas formas, em qualquer altura, apresentar as suas "novidades".

Fazemo-lo, neste momento, com este Anuário, cujo conteúdo de feição eminentemente histórica reúne alguns dos trabalhos executados pelos associados durante o ano ou, no caso de outros já elaborados há mais tempo, mas porque apresentam manifesta actualidade e relevante importância, encontraram aqui um espaço reservado à sua (re)publicação. Não foram incluídos assuntos relacionados com o meio marinho, nem com Arqueologia Subaquática, não significando, porém, o seu esquecimento no seio do CEMAL, o qual não deixará de lhes dispensar a devida atenção noutras oportunidades. Até lá!".

Com esta introdução se iniciava o Anuário 1998, assinado pelo Presidente da Direcção do CEMAL Engº João Carlos Abreu Pimenta que, tristemente, desapareceu do nosso convívio em Outubro de 1999.

Sem apoios, a edição de então teve uma divulgação restrita. Agora, com o meritório apoio do Jornal Maré Alta, e porque queremos difundir e preservar a mensagem do venerável escritor e cidadão, do estimado amigo e do honorável presidente do CEMAL, aqui a repetimos nesta edição do anuário, reiterando a sua validade, plena actualidade e firmeza nos propósitos dos continuadores da sua obra.

Bem haja, e que descanse em paz.

Lagos, Junho de 2000

F. Castelo

 


 

DESIDERATO

 

Considerando que, nas últimas décadas, o Património Histórico do concelho não foi tratado como devia verifica-se que, hoje, se está a emendar essa (falta de) atitude. E isso é notório em três importantes áreas: Tratamento do espólio do Museu Regional de Lagos (e do próprio imóvel); realização de campanhas arqueológicas, e apresentação pública de colecções (v. a excelente exposição de Arte Africana realizada recentemente no C. Cultural de Lagos e que integra espólio do Museu). Um outro aspecto, não menos importante, e já iniciado pela anterior Câmara, refere-se à recuperação de edifícios de interesse relevante: Igreja das Freiras, Casa Fogaça, Casa do Mullens. Por estes motivos, julgamos que a autarquia segue por bom caminho.

 

Ainda no que respeita à valorização/divulgação do Património histórico-arqueológico, aguardamos a concretização do projecto das Termas Romanas da Luz (projecto muito caro ao CEMAL), que virá a constituir o primeiro sítio arqueológico museografado, no nosso concelho.

 

No que respeita ao papel da Câmara Municipal parece que só falta definir a política de subsídios a atribuir à investigação histórica realizada no âmbito das associações e grupos de estudo que existem em Lagos, e definir os apoios à publicação dos trabalhos resultantes dessas investigações. Em nossa opinião, também seria importante considerar a constituição permanente de uma equipa de arqueologia/antropologia, pois há ainda tanto por explorar e estudar no nosso município.

 

Para além das autarquias, outros têm, também, responsabilidade em matéria de património histórico e cultural. As pessoas de Lagos são os principais responsáveis pela defesa desse património. Em tal tarefa têm andado meia dúzia de lacobrigenses, cumprindo a sua obrigação. Então e os outros? A História de Lagos e os factos da nossa memória colectiva estão a ser recolhidos e divulgados por: João Velhinho, José Carlos Vasques, José Borba, Coronel Hélio Xavier, Nídio Duarte, Silvestre Ferro, para além dos trabalhos de cariz mais académico, realizados pelos doutores/as Ana Balmori, António Martins, Cristiano Cerol, Elena Móran, Frederico Paula, Glória Marreiros, Glória S. Paula, João Veloso, José Alberto Batista, Rui Loureiro, Rui Parreira e poucos mais. Mas, estes, em consequência da sua douta formação ou por imperativos das funções que desempenham, já cumprem essa “obrigação”. Insistimos é no contributo das gentes da cidade, das Freguesias rurais, de todo o concelho.

 

A cultura é um processo dinâmico que envolve na sua génese toda a comunidade. Quanto mais alargada a consciência do valor das experiências pessoais e colectivas que podem ser testemunhadas e transmitidas, mais forte será o elo cultural e mais efectiva se torna a sua defesa. Pelo que nos toca, tentamos reunir, e publicar, as histórias da História de Lagos. Ficam, assim, preservadas para a posteridade as memórias e os saberes de pessoas que vão desaparecendo do nosso convívio. Eis a razão do carácter urgente deste trabalho.

 

O CEMAL convida os lacobrigenses, sobretudo os mais antigos, a prestarem o seu contributo para este registo da nossa história. Poderão fazê-lo escrevendo sobre as suas experiências e memórias ou disponibilizando-se para entrevistas versando o quotidiano da cidade ao tempo da sua juventude ou sobre a sua vivência profissional e social durante o séc. passado, com especial atenção ao relacionamento de Lagos com o mar.

 

Sem prejuízo de publicação em jornais locais ou sob a forma de livro, aqui se divulgará todo esse espólio recolhido. O mesmo poderá ser utilizado por terceiros, integrado em trabalhos escolares, ou reeditado na imprensa ou na internet para fins de divulgação, bastando para tal dar conhecimento ao CEMAL ou aos respectivos autores. Em todo o caso será sempre imprescindível a identificação de autoria dos artigos.

 

Lagos, Outubro de 2004

O Editor do CEMAL

Francisco Castelo

 

 

 

 

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