Resultados das
intervenções realizadas
na zona de protecção de Monte Molião
no ano 2005
pelos Arqueólogos: Elisa
Sousa e Miguel Serra
Durante o corrente ano, realizaram-se alguns trabalhos arqueológicos de carácter
preventivo na área em torno do povoado conhecido por Monte Molião. Ainda que a
maioria das sondagens realizadas não tenham evidenciado a existência de níveis
arqueológicos, identificou-se, numa delas, a presença de uma estrutura circular negativa, cujo enchimento proporcionou materiais passíveis de
serem balizados nos momentos finais do séc. II a.C.
Estes materiais consistiam, essencialmente, em ânforas vinárias de origem
itálica, concretamente do tipo Dressel 1A, e outras, destinadas à
comercialização de preparados piscícolas, produzidas na área da baía de Cádiz,
designadas de formas D evolucionadas, tipo acampamentos numantinos, Castro Marim
1 e Maña C2. A cerâmica de mesa está também presente em quantidades apreciáveis,
sendo a sua maioria constituída por cerâmica campaniense de tipo A e cerâmica de
paredes finas, ambas de produção itálica. A cerâmica comum é abundante,
destacando-se também aqui as produções itálicas às quais se juntam cerâmicas
produzidas na baía gaditana e outras de produção local e/ou regional.
Recuperaram-se ainda alguns objectos metálicos, de bronze/cobre e ferro que
também convém mencionar. Além de vários elementos de agulhas, anzóis, pinças, um
anel e um arreio de cavalo, exumou-se ainda um denário romano datável de 134
a.C.
A impossibilidade de conhecer a planta global desta estrutura negativa
dificulta, em grande parte, a sua interpretação. Ainda que não apresente as
características mais típicas dos fossos de carácter militar romano, com perfil
em V, os materiais recolhidos no seu enchimento indicam a presença de populações
presumivelmente itálicas na área. Desconhece-se, contudo, se este fosso estaria
relacionado com estruturas defensivas do próprio povoado ou se se revestia de um
carácter mais ofensivo, conectando-se directamente com o processo de conquista
romana.